terça-feira, 9 de maio de 2017

ENCONTRO MÊS DE MAIO/2017




O Grupo Roda Gestante convida todos para o nosso encontro com o tema "Escolha da equipe". "O que podemos esperar das e dos profissionais que atendem ao parto? Tem parto domiciliar em Alagoas?" "E as maternidades do SUS... como é que estão funcionando?" "Parir com plantonista do plano é salto no escuro?" "E aquele GO fofinho que-sai-no-jornal-e-tudo falando de humanização? posso confiar?" "Quero uma assistência adequada mas não consigo desapegar da médica que me atende desde os 12 anos..."

Tendo vista a importância que é a escolha de uma equipe adequada para o parto, e o contexto individual de opções e de acessibilidade, aqui vamos trocar uma ideia sobre a situação do atendimento ao parto em AL para que todas possam buscar caminhos em que se sintam seguras com a assistência escolhida.

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Venha participar junto conosco de mais um encontro!!

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13.05.2017 (Sábado)

às 14:00

Rua Prefeito Abdon Arroxelas, 877 - Ponta Verde

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*Por favor, cheguem com 10 minutos de antecedência, para começarmos o encontro pontualmente.

* Ao final do encontro, tiraremos uma foto com todos os presentes. Fique atenta(o) para não perder esse momento tão bacana.

* Informamos também a todos, que crianças maiores do que 02 anos, deverá ter um adulto livre para olhá-las sem que comprometa o andamento do encontro.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Relato de Parto da Alice

Resolvi fazer o meu relato de parto. A princípio só vejo relatos de partos normais, o que infelizmente não aconteceu comigo, mas resolvi contar o que aconteceu como forma de empoderar mais as mulheres que desejam um parto normal.
Dia 04/09 estava com 40 semanas e 1 dia. Cansada da pergunta "quando ela vai nascer??" . Acordei super disposta. Fiz uma faxina geraaaaal em casa. As meninas do grupo "gestantes do roda" que participo no whatsapp brincaram dizendo que quando a mulher começa a limpar a casa assim no fim da gravidez é porque tem bebê querendo nascer. Não estava sentindo nada. No dia 05/09 acordei pra fazer xixi, como de costume, às 6:00 da manhã. Quando olhei meu short e calcinha molhados, muito molhados. Fiquei super feliz, algo estava acontecendo!!!!! Falei pro marido que nem me deu muita bola, o sono foi maior kkkk. Não consegui mais dormir! Queria dormir, pois a maratona seria grande e queria aproveitar que não estava sentindo nada pra descansar. Mas quem viu? Coração acelerado.. não consegui ficar quieta e fui fazer as coisas de casa. Quando me abaixei pra fazer carinho no meu cachorro.. escorreu um líquido quente nas minhas pernas, quente e transparente. É a bolsa, pensei!!! Troquei calcinha e continuava sentindo um líquido quente sair. Troquei de calcinha umas 4 vezes dentro de uma hora.
Luiz acordou e ficou louco, ansioso, saiu procurando a máquina de tirar fotos kkkk (quem usa máquina hoje em dia com celular?) Eu disse a ele pra ter calma.. que eu não estava sentindo nada e não iria para o hospital nem tão cedo, afinal não queria que me internassem e eu sofresse violência obstétrica ou que me empurrassem uma cesariana desnecessária. Arrumamos as coisas, me despedi dos cachorros e fomos pra casa da avó dele. (Eu não queria ir, queria ficar em casa. Sabia que a interferência da família não seria boa mas ele ficou insistindo).
Dito e feito. Chegando lá todo mundo fez um alarme (Marina vai morrer sufocada, você tem que ir pra maternidade agora blá blá blá, eu tava sem paciência pra explicar sobre tudo que tinha estudado, estava super feliz e ainda sem sentir NADA) e eu fui forçada a ir pra maternidade tanto pela família dele quanto pela minha. Ainda consegui enrolar umas horas, tomei banho, lavei o cabelo e no chuveiro fiquei rebolando na água quentinha e agachando. (A intenção era fazer chapinha kkk mas ninguém deixou)
Fui para a Nossa senhora da guia. (Já que estava sem plano de saúde) Maternidade que me aconselharam por ser amiga da criança e incentivarem o parto normal. De cara odiei, fui atendida na triagem por uma médica muito estúpida que não me deu um Boa tarde (era meio dia mais ou menos), nem se apresentou, mandou eu me deitar e tirar a calcinha. Eu fiz : opa, boa tarde né? (Acho que ela não gostou disso kkk) fez o toque e foi tão grosseira que eu reclamei, disse que ela estava sendo ignorante e ela definitivamente não gostou, percebi rsrsrs mas eu não sou de ficar calada, os médicos têm que tratar os pacientes com respeito e delicadeza.
Estava com 1cm, e não parava de sair líquido.. pensei "maravilha! Vão me mandar pra casa doce ilusão.. ela disse "você vai ter que ficar internada por causa da sua idade gestacional e você está com bolsa rota, tem que ficar sendo monitorada" não gosto nem de pensar que eu aceitei isso, deveria ter assinado um termo e ido pra casa, raiva de mim nesse momento!!!
Subi para a observação. Lá tem 3 camas e várias cadeiras, tinham exatas 6 gestantes. De cara me colocaram no soro glicosado. Fui logo atacando.. "não tem ocitocina nesse soro não né?" (Afinal eu queria que evoluísse tudo naturalmente) a técnica de enfermagem já me olhou de cara feia (ter informação é ruim pra profissionais que não se importam com os outros) e disse "tem não, tá limpo" ok. Mas continuei sem entender o porquê de me colocarem no soro. Depois ela veio com uma medicação intramuscular. Perguntei de novo, pra que serve isso? E ela disse (de cara feia de novo) "é Plasil, uma medicação pra afinar o colo do útero" eu.. oi? Desde quando Plasil afina colo do útero? Me corrijam se eu estiver errada, Plasil é pra enjôo e vomito. Depois de tudo associei.. era pra eu não ficar enjoada por ficar um longo período sem comer.
E então eu comecei a andar .. o espaço era mínimo! Eu andava pra lá e pra ca que nem doida, ficavam me olhando e eu andando com um ferro do soro pra cima e pra baixo, comecei a sentir cólica e quando fui ao banheiro tinha sangue na calcinha, fiquei com muita raiva, cogitei a possibilidade da médica ter feito um descolamento de membranas sem me consultar ou o toque que foi grosseiro mesmo.
Meu marido não pôde ficar comigo, só tinha mulher na sala de observação e ele ficou constrangido, eu também fiquei por ele e então ele decidiu que não ficaria comigo. E eu tava super contando com o apoio dele. a gestação inteira imaginei e idealizei esse momento. As cólicas começaram a ficar mais doloridas , comecei a contar mas estavam num intervalo de tempo totalmente desregular, já era umas 15:00 horas.
Perguntei se poderia beber água (geralmente quando vc fica interna eles não permitem que você beba ou coma algo) eu tinha levado escondido, água e barra de cereal. A enfermeira disse que no meu prontuário eu estava em dieta zero! Como assim dieta zero???? Pra parto normal???? Mesmo assim bebi agua escondida! Como pode uma pessoa aguentar um trabalho de parto com fome e com sede?
E então meu prontuário tava ali de bobeira, não tinha ninguém no posto de enfermagem, minha prima viu e tinha assim "conduta principal: parto cesariana" olhamos os outros prontuário e todos os outros tinha "conduta principal: parto normal" . Fiquei chateada.. a médica encucou comigo? Só pode! E o pior que a infeliz só trocava de plantão as 19:00 hrs. Depois disso tudo fazia sentido.. o soro.. dieta zero.. iriam me encaminhar pra cesariana mesmo. Fiquei mais ou menos de 13:00 até 18:00 sem avaliação, sem auscultarem Marina que já não estava se movimentando muito. Ás 18:00 uma enfermeira me examinou, segundo ela.. colo posterior e 2/3 cm de dilatação. Fiquei até feliz! Tava evoluindo.. mas me perguntei porque não estavam induzindo? Ja que eu estava com 40 semanas? Na troca de plantão, a médica veio me examinar. Viu meu prontuário antes. Fez outro toque segundo ela: "a cabecinha está aqui mas o colo está muito posterior e 1cm de dilatação, ela vai ter que ir pra cesariana, bolsa rota desde manhã" A médica foi até simpática comigo mas parecia uma seleção.. troca de plantão e ela saiu selecionando quem ia pra cesariana e quem ia pra sala de pré parto pra poder desafogar a observação que estava lotada. Os bcfs de marina também caíram um pouco, de 144, 133, 128.. fiquei com medo por isso também é por ela não estar mexendo. Então eu aceitei! Eu sabia que ali, naquele ambiente eu não iria evoluir, não tinha espaço, não tinha nada que estimulasse um trabalho de parto além de muitas pessoas entrando e saindo da sala, você fica totalmente constrangida pra fazer qualquer coisa. Por isso bato sempre na tecla, quem quer um parto normal humanizado ten que se preparar não só com informações mas também financeiramente. Profissionais que apoiam a causa são pouquissimos em Maceió. Não fiquem à mercê do sus, eu fui apenas uma das vítimas. Subi para o centro cirúrgico, me sondaram antes da anestesia, a moça que desobstruiu o soro uma verdadeira cavala, o anestesista era o único humano ali. Depois de tudo preparado foi que a médica deu as caras. Não amarraram meus braços mas colocaram aquele o ano na frente então não pude ver o nascimento da minha filha e eles não permitiram foto de maneira alguma!!! e as 8:50 Marina nasceu, "circular de cordão" a médica disse. Marina ainda demorou uns 2 segundos para chorar, cortaram o cordão de imediato e trouxeram pra mim. Tão linda.. chorando e quando encostou em mim parou na hora confesso que eu queria ter curtido mais o momento, não curti como achei que curtiria mas estava feliz e agradecida por minha filha ter nascido com saúde. Capurro 39 e 5 dias , Apgar 9/9, 50cm e 3,345 kgs. Não colocaram o nitrato de prata a pedido meu. Com toda sinceridade eu odiei esse hospital. Me senti frustrada no começo, na verdade ainda me sinto. Me pergunto as vezes pq algumas tem tanta facilidade e eu não tive? Me culpo as vezes por não ter tido uma gestação tão ativa, por não ter feito uma dieta balanceada.. enfim eu me culpo! Não queria que as mulheres se sentissem assim por isso resolvi escrever. Mulheres se empoderem e busquem por respeito as suas decisões e a forma com que vocês querem parir.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

ENCONTRO MÊS DE DEZEMBRO/2016



CONFRATERNIZAÇÃO + BAZAR + SURPRESAS

O Grupo Roda Gestante com o apoio do grupo Doulas do Roda, tem a honra de anunciar o fechamento do ano de 2016 com chave de ouro. A nossa confraternização será aberta ao público e realizaremos em um só dia várias atividades que você poderá desfrutar e onde terão grandes surpresas!! 

Ao longo do dia, faremos o nosso bazar com a venda de produtos infantis, produtos para as gestantes, os DVD's do nosso último seminário e dos livros do Ric Jones, além de oficinas de sling e pintura de barriga. 

O nosso encontro mensal será um bate-papo sobre Parto Humanizado, suas dificuldades e o que você precisa para conseguir. Esse será o grande momento de você tirar todas as suas dúvidas e esclarecer muitas questões.

Não deixem de participar! Todos são bem vindos, gestantes e seus acompanhantes (pai, mãe e sogra), mães que já passaram pela gravidez/parto, profissionais e demais interessados no assunto.

11.12.2016 (Domingo)
a partir das 13h 
Loteamento Santa Ana, Qd. A, número 5, Serraria.
(Após entrar na rua da Padaria Pão da arte, entra na última rua à esquerda - única entrada. Próximo ao Espetinho da Maria).

* Informamos também a todos, que crianças maiores do que 02 anos, deverá ter um adulto livre para olhá-las sem que comprometa o andamento do encontro.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Relato de Parto de Kelly Muniz

4 DIAS DE DOR

Tudo começou na sexta feira: 25/08, quando eu comecei a sentir as dores das contrações; resolvi cronometrá-las pra ver se eram ritmadas e se eu devia ir para a maternidade... elas não eram ritmadas... vinham de 11 em 11 min, 5 em 5, depois 15 em 15, enfim, eram os 'pródromos' - o falso trabalho de parto. Não pude dormir a noite inteira e isso se estendeu até a madrugada da segunda, 29/08. Por volta das 22h, elas começaram a ficar ritmadas... começou por 5 em 5 min, depois o espaço de tempo foi diminuindo, até chegar a 2 em 2 min. Aí fui tirar roupa da corda, varrer novamente a casa, comer uma maçã (sabia que ia precisar de energia p/ o que estava por vir), verifiquei as malas e já as posicionei no sofá, junto com a pasta de documentos, depois tomei meu 6º banho e fui acordar meu marido: já eram 2 da manhã e ele acordou e ficou olhando pra mim com cara de quem não tinha acordado ainda, eu disse: "Pedro, levanta! Temos que ir para a maternidade!"

Chegamos a maternidade e eu fui avaliada com um exame de toque, a médica disse que eu estava com 1 cm de dilatação - Meu Deus, não conseguia acreditar... já estava sentindo muitas dores há quase 4 dias, evitando ao máximo ir para a maternidade, precocemente, acreditando que chegaria lá já com uns 8 cm de dilatação, pq havia ficado em casa, sem o caos e a hostilidade que um hospital tem, mas não... mal tinha começado o franco trabalho de parto. Fui internada na obs, por volta das 2h e 30, andei sem parar pelos corredores, fiz agachamento. estava hiper cansada da maratona de dores e noites sem dormir que já vinha enfrentado, mas a vontade de conhecer a minha filha era descomunal e me dava forças para dar o que eu achava que não tinha para a chegada dela.






Às 4h tive que dar uma pausa para ser avaliada novamente: 3cm de dilatação. Senhor, quanto tempo mais isso vai durar? Pensei... Mas voltei aos exercícios, logo amanheceu, e o Pedro nao saiu do meu lado um segundo, caminhou comigo, segurou a minha mão, me fez querer que ninguem mais estivesse ali. Fui avaliada novamente por volta das 8h e estava com 5cm de dilatação, a equipe de enfermeiros, assistentes sociais, médicos, estavam vibrando conosco, pq me viram tão colaborativa para ter a Marina de parto normal. Nesse momento fui encaminhada para a sala de pré-parto, onde eu pude fazer mais exercícios na bola, tomar banho de imersão, ter um acompanhamento com um fisioterapeuta, doula, psicologa, ass social, enfim... me trataram com tanto carinho que às 10h já estava com 8cm... ouvimos musica, contamos piadas, demos risadas entre uma contração e outra.


Passaram uma média de 5 grávidas, chegando depois de mim e todas já haviam tido seus bbs. eu tentei não me ligar nisso, mas já estava ficando cada vez mais tensa com esse fato. Precisava conhecer a minha filha, tê-la em meus braços, necessitava que aquela dor parasse - eu tava EXAUSTA, perdendo as forças. O Pedro foi almoçar e quando ele voltou, eu falei super feliz: "Amor, estou com 9 cm, a hora do expulsivo está chegando; eram mais ou menos 2 e pouca da tarde, me perguntaram como eu gostaria de parir; eu disse que da forma que eu ficasse menos desconfortável: fiquei de cócoras em cima da maca, depois colocaram uma banqueta com um buraco pra que eu sentasse e a Marina pudesse nascer ali mesmo, voltei a ficar de cocoras, mas terminei na posição da cesárea - pq nao estava mais suportando a dor.






Marina, tinha coroado, e por mais força que eu fizesse ela nao saia... a Médica, então decidiu estourar a bolsa e lá estava o tão temido mecônio. Entrei em desespero, pq sabia que se ela aspirasse, pegaria uma infecção e ia pra UTI. Ela foi auscultada e os BCF estavam normais, mas eu entrei em estado de choque, só pensava q a qualquer momento ela poderia aspirar... eu não tinha mais forças, não conseguia nem me sentar. Fui encaminhada p/ a sala de cirurgia, pra onde eu não queria ir de jeito nenhum... mas naquele momento era td o que eu queria, pq eu sabia q ela ainda podia demorar e naquele momento o tempo era crucial... A anestesista não conseguia me anestesiar pq eu não conseguia me manter sentada; 3 enfermeiras me seguraram e inclinaram a minha coluna para finalmente conseguir ser anestesiada. Mal senti a picada, eu estava na partolandia mesmo, tinha me transportado pra outro lugar onde a dor me deixou grogue... quando não sentia mais o corpo, quando aquela dor passou - restou um lugar enorme pro cansaço ganhar em primeiro lugar... eu mal conseguia manter meus olhos abertos, não conseguia assimilar o que a medica conversava com as enfermeiras, eu só conseguia pensar que eu não ia conseguir receber a Marina como eu gostaria, como eu esperava q fosse. às 17h51, o momento mais esperado da minha vida, chegou: Ela nasceu! linda e chorona, com 2 circulares de cordão, 3.680 kg e 51 cm, meu pacotinho de amor. Meu Deus que sensação estranha... a de estar grogue, conhecer a sua filha.. assimilar td aquilo não foi mto possível naquele momento. O motivo de eu estar compartilhando isso aqui, algo tao intimo, é de querer passar a mensagem de que nem tudo sai à nossa vontade. mas sim como tem que ser! eu almejei um parto normal, almejei ter energia para ao menos conseguir sentir emoção ao receber minha filha, almejei ter autonomia para segurá-la sem dor no pós parto, enfim... Não foi nada daquilo que planejei, mas ressignificou a minha vida. Me fez perceber que nem sempre as coisas saem como planejamos, mas nem por isso diminui a importância disso, Marina nasceu com saúde do mesmo jeito, Marina me ama do mesmo jeito. Hj, tenho autonomia para segura-la sem dor, tenho forças pra sentir e conseguir segurar todas as emoções q ela me faz sentir, sou outra pessoa: Mãe/mulher mais segura, com valores muito mais significativos, com mais gratidão, com mais amor. E passaria por td isso de novo pra tê-la. Nem uma vida inteira, será capaz de ser suficiente para expressar toda a minha gratidão a Deus, ao meu marido que me deixou ainda mais apx, ele foi mto incrivel, sem ele eu acho q nao chegaria na metade do caminho e a todas as pessoas q passaram por mim naquele dia e q me deram força, me ajudaram a dar td de mim e a ficar como estou hj: REALIZADA.

Relato de Parto de Laura

Pessoas, quero compartilhar com vocês um pedaço bonito da minha história: o relato do Nascimento de Aisha...espero que seja inspiração para outras mulheres, outros casais...

Lá vai:

Parto é amor! É entrega! 

Depois de um final de semana de relaxamento e banho de bica na chuva em boca da mata, voltamos pra Maceió e reiniciamos a rotina. Na segunda-feira (22.08.16) acordei com um espírito de faxina que nunca me pertenceu (risos), mesmo com a dificuldade do barrigão eu senti uma necessidade absurda de limpar a casa e fiz o que meus limites me permitiam naquele momento, sem estresse, só achando graça já que eu sempre detestei tarefas domésticas, inclusive quando falei com minha cunhada (Bárbara) comentei que esse espírito faxineiro era um sinal de que parecia estar perto o grande dia...mas como meus limites não me permitiam muita coisa a casa permaneceu na bagunçada habitual rsrs. No mesmo dia a noite Lula propôs assistirmos um filminho e assim fizemos...quer dizer...mais ou menos...escolhemos o filme (“O dia em que a terra parou”) e assim que começou a rolar eu dormi no tapete da sala e só acordei quando acabou e o lula me chamou pra ir pra cama kkkkkkk...Assim que deitei senti a calcinha ficar molhada , fui ao banheiro e depois mostrei pro lula (as 00:46), pois não parecia ser xixi (não tinha cheiro), mas era bem pouco, não parecia ser grande sinal, minutos depois fui ao banheiro de novo e aí vi que estava saindo um pouco do tampão mucoso com raios e sangue, na hora senti uma alegria no coração porque sentia que se aproximava a hora de ter nossa pequena Aisha, chamei o lula e disse que poderia ser a hora, então entramos em contato com as meninas do AME (as 00:53) e informamos o que estava acontecendo, as meninas nos acompanharam por mensagens informando que eram sinais do que meu corpo se preparava e Aisha curtia os últimos momentos na primeira casinha dela. As cólicas começaram a vir tão fraquinhas que eu nem chamava de contrações rs, com pouco tempo começaram a ficar mais intensas porém ainda irregulares a essa altura, achei até que conseguiria dormir e que aquele processo de evolução do ritmo das contrações demoraria muito. Me enganei rsrs. Não conseguia ficar deitada, precisava ir ao banheiro toda hora, a claridade das luzes me incomodava muito, então apagamos todas as luzes, acendemos as velas, e ficamos no quarto da Aisha na bola de pliates rebolando e ouvindo música (inclusive algumas músicas me incomodavam e eu pedia pro lula passar rs), por volta das 2:08 as contrações começaram a ter intervalos mais curtos, já estavam de 2 em 2 minutos e a essa hora eu já estava debaixo do chuveiro morno onde encontrei o “paraíso” pra aliviar as contrações. Ficamos calmos e sempre em contato com o AME e com a doula Carol que já se organizavam para ir nos avaliar. Eu estava morrendo de dor mas juro que estava completamente tomada de felicidade e ABSOLUTAMENTE ENTREGUE AO MEU CORPO, À MINHA FILHA E AO MEU COMPANHEIRO (LULA)...quando tinha um intervalo entre uma contração e outra eu olhava pro ser humano maravilhoso que estava ali comigo e ria, me entregava e pensava : ela chega! A dor as vezes parecia impossível de suportar, mas quando eu olhava pra ele, sentia o carinho, os beijos, tudo melhorava e eu o apertava até não poder mais e por tanto tempo que os braços dele começavam a tremer e ele sempre me apoiando, me mandando respirar, dizendo pra ter calma, pra ter paciência que tudo ia passar, e eu o amando intensamente mas sendo super chata e gritando com todo o abuso do mundo “Eut TÔ calma! Mas dóooooi!” kkkkkkkkk Às 4:44 Lu e Carol chegaram e eu sentada no chão do banheiro sentindo a água cair nas costas e aliviar o desconforto momentaneamente... Acredito que demorei um tempo pra sair dali e queria deixar a Lu me avaliar e me tocar mas toda vez que eu deitava na cama a dor se tornava 10 vezes mais difícil de suportar e eu levantava e andava da sala pro quarto e do quarto pra sala e hoje quando lembro disso percebo o quanto é desumano e cruel obrigar uma mulher parir deitada...claro que cada mulher é única e cada corpo é único, então precisam ser respeitados em sua individualidade, e deve ter mulheres que se sentem confortáveis da posição horizontal, mas no meu caso por exemplo, não aguentaria ficar deitada e não poder rebolar e caminhar adoidado, seria uma tortura sem fim e eu ficaria altamente estressada. Quando Lu me avaliou: pressão arterial ok, batimentos cardíacos do bebê ok, e a dilatação? OITO CENTÍMETROS JÁ! a Lu disse que já podia sentir a cabecinha dela :DDDDD E eu? Me enchi mais ainda de alegria e confiança! As meninas disseram que tentariam encher a piscina, mas ponderaram que talvez não desse tempo, mas eu não tava nem aí! Kkkkkkkkkkkk ....eu queria era chuveiro quente!!! E desde o pré-natal eu sempre disse que não tinha um grande desejo de parir na piscina, só queria estar da maneira mais confortável e segura possível....sempre soube que meu corpo me diria o que seria melhor na hora do parto e assim foi! É incrível! Impressionante! Eu me conectei com o que tinha de mais íntimo em mim de um jeito tão forte que não precisava pensar muito, só seguir o que o corpo pedia...e ele pedia luz apagada, pedia que eu caminhasse,  que mudasse de posição a todo momento, pedia que rebolasse muito! Pedia que ficasse no chuveiro quente, pedia que agarrasse o Lula, mordesse e transmitisse pra ele toda a intensidade daquilo que estava sentindo e foi o que eu fiz! Eu tava tão entregue que esquecia de tempo e espaço, mas ele eu sei que estava consciente e cuidadoso a todo momento, que a minha dor doía nele também e que a ansiedade era grande, por isso, por todo esse amor verdadeiro, dirijo a ele não só agradecimento mas o amor mais sincero e intenso que possa existir...nunca tive tanta certeza de poder confiar em alguém como tive no momento do meu parto...meu companheiro foi essencial pra tudo correr de forma tão tranquila... Em NENHUM MOMENTO EU FIQUEI PREOCUPADA ACHANDO QUE ALGO DARIA ERRADO! NENHUM! Eu me contorcia toda de dor, fato. Mas apesar dos berros (que não foram altos, eram praticamente gemidos) e das caretas, meu espírito estava em um estado de felicidade profunda e nem passou pela minha cabeça a possibilidade de algo dar errado naquele momento bonito. Porque eu estava entregue! Eu sentia meu corpo, entendia o que ele queria me dizer e sabia que estava tudo indo do jeito que deveria. 
Já de manhã do dia 23 de agosto (aqui não sei mais precisar hora exata de nada) vieram os puxos, que é aquela vontade incontrolável de fazer força e eu continuava no chuveiro mas agora só ficava confortável na posição de 4 apoios (isso mesmo, essa posição é TOP pra parir kkkk)...as meninas me ofereceram a banqueta de parto, mas naquela hora eu achava que só poderia ficar daquele jeito...ah...eu fiz cocô! Rsrs ...antes achava que se acontecesse isso eu morreria de vergonha, mas eu num tava nem aí! Kkkkkk...é aquilo né ...parto é entrega! Além do que eu confiava em todo mundo que tava ali (marido Lula, doula Carol e equipe do AME) então não tinha porque me preocupar.... Desses momentos eu lembro muito embaralhado, estava na partolândia total! Kkkkk .... acho que foi carol que falou pra eu tocar e sentir a Aisha...e a cabecinha dela estava la! Eu pude sentir! Foi em algum momento perto disso que o Lula falou comigo com todo carinho “amor, por favor não fique chateada comigo, mas acho que não vou conseguir pegar a Aisha. Escolha uma das meninas pra fazer isso.” E eu lembro que disse que não tinha problema e queria a Carla.... entendo totalmente o pedido dele : eu estava de quatro dentro do box de um banheiro pequeno com o chuveiro ligado sob minhas costas, como ele iria ao menos se posicionar pra recebe-la? Kkkkkk.... sei que a Lu me ofereceu novamente a baqueta de parto, disse pra eu testar e se não gostasse voltava pra posição de quatro sem problemas...aceitei porque sabia que ficar agaixada tb oferecia conforto e entendi que ficaria mais fácil pro lula também...depois que me apoiei na baqueta soltei uns gritos rasgados (que inclusive fizeram minha garganta doer um pouquinho no dia seguinte rs) e fiz a força que meu corpo pedia pra fazer e nada além...ai eu ALCANCEI O NIRVANA....delirei...me transportei pra outro mundo...e ela chegou! O LULA CONSEGUIU SIM PEGÁ-LA! E o primeiro contato da Aisha no mundo externo foi com o abraço carinhoso e cheio de amor do papai Lula. Esse momento não lembro com imagens, só com sensações, só com o espírito. Ela nasceu laçada! rsrs...surpresa pra nós porque nas us não estava assim...mas a gnt sabia que isso não é contraindicação pro parto normal... enfim ... Abracei meus dois amores e senti que estávamos todos ocitocinados! Hahahaha...era só amor! Só alegria! Só emoção! Com pouquíssimo tempo a placenta também nasceu...e com ela veio uma quantidade de sangue considerável por conta do descolamento super rápido...aí me senti tonta,  a equipe percebeu e tomou as providencias necessárias: me deitaram, elevaram minhas pernas e recebi oxigênio...logo fiquei tranquila e Aisha veio pro peito...mamou uma maravilha....sensação linda! Depois o Lula cortou o cordão umbilical ...e eu super emocionada com aquele momento e com a emoção do lula...guardamos a placenta! Ah esse pedaço de mim... simbolicamente quero plantá-lo junto com uma árvore ...que volte a ser parte da natureza e a ajudar a gerar vida... 
Eu sei que esse relato está enorme, mas eu queria muito registrar todos os detalhes que lembro ...por vários motivos: pra eu ler futuramente e sentir de novo o sabor do parto; pra Aisha ler um dia se quiser e imaginar como foi a chegada dela aqui; e para que, assim como eu fiz durante minha gravidez, outras mulheres possam ler como foi essa parte da minha história, e talvez possam se identificar e ganhar força, sabendo que não estão sozinhas...para que possam saber que seus corpos sabem parir e seus bebês sabem nascer, é só se entregar! 
Aisha encarou a luz do mundo às 6:31 do dia 23 de agosto de 2016 medindo 50 centímetros e pesando 3.155 kg. 
Registro aqui meu carinho e admiração aos que estiveram comigo nesse momento e contribuíram para eu o protagonizasse de maneira tão plena: meu amor Lula, grupo AME e doula Carol.
É isso! ...Mulheres, confiem: seus corpos sabem parir! Seus bebês sabem nascer! Se entreguem!










quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Audiência no MPF/AL sobre Violência Obstétrica - 29/11/2016


Precisamos de sua presença na AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE A VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA, que vai acontecer no dia 29 de novembro, a partir das 14h, na sede do MPF/AL, situada no Barro Duro. 


Você sofreu VO? Segue os exemplos na foto. Pode ter acontecido e você não sabia. 


Quer participar da audiência e dar seu depoimento ou ir apenas? 


Se junte a nós!!

Traga a sua voz!! Precisamos Dela!


Temos que mostrar a nossa situação e representar todas as mulheres do nosso estado que enfrentam cotidianamente uma violência institucional, física, psicológica, em um momento de alta vulnerabilidade. 


Temos que representar as vítimas de um sistema de saúde público e privado cada vez mais esvaziado, orientado ao lucro, com recursos escassos e profissionais exaustos, ou despreparados. 


A Violência obstétrica precisa acabar. Vamos começar falando sobre ela?


Fala aqui quem pode participar que a gente precisa se organizar.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Vendas de DVD's do SEAPAN 2016



Pessoal, finalmente estamos disponibilizando os DVD's com as palestras que aconteceram durante o Seminário Alagoano sobre Parto e Nascimento deste ano.

Cada DVD é de aproximadamente de 1 hora de duração e temos os seguintes DVD's com as palestras:

- DVD 1: Empoderamento da mulher com a equipe de assistência ao parto - Heloísa Lessa
- DVD 2: A segurança do parto domiciliar. Intercorrências e possíveis transferências - Renata Miranda
- DVD 3: Parto Pélvico - Leila Katz
- DVD 4: Mulheres que reivindicam seus corpos: Autonomia e corporeidade na hora do parto - Laís Rodrigues
- DVD 5: Atendimento humanizado ao recém nascido - Ricardo Chaves
- DVD 6: Reflexões sobre a normalidade no trabalho de parto - Edson Borges
- DVD 7: Perspectivas para a enfermagem obstétrica no século XXI - Zeza Jones
- DVD 8: Quem tem medo da humanização? A relação dos profissionais com o parto humanizado e o contexto do mercado - Ric Jones

Cada DVD custa R$7,00, na compra de dois DVD's fica R$10,00.

Maiores informações: 82. 99658-1661